HotelLisboa

O porteiro do estabelecimento, Semion, acendera todas as lâmpadas das paredes e o lustre, assim como o candeeiro vermelho em cima da entrada. (Aleksandr Kuprin)




Diário do Mundial


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Sábado futebolístico iniciado pela parte burguesa da cidade. O 4 Mundos é um restaurante bar na Polana, dirigido fundamentalmente a turistas estrangeiros, em especial ao contingente sul-africano que com regularidade visita as praias moçambicanas. Muita salada, cerveja estrangeira e marisco a preços europeus, mas não demasiado. Em simultâneo com o Inglaterra-Paraguai a selecção sul-africana de rugby jogava com a Escócia. Dentro do bar, estavam os sul-africanos de origem inglesa, uns poucos portugueses alguns moçambicanos betos, quase sempre insuportáveis, outros estrangeiros e moçambicanas a passar de um lado para o outro. Juntando isto a outras coisas lembrei-me das descrições da Cuba de Baptista, embora aqui não haja nem Castros nem Guevaras à vista. Do lado de fora, os Afrikaners, para quem o rugby é forma de identidade. O relações públicas do bar, possivelmente o dono, distribuía bandeiras inglesas, as mesmas com a cruz de São Jorge que alguns fascistas ingleses agitavam na Alemanha com insultos idiotas aos anfitriões e fotografias do colonialista Churchill. Depois do mau começo de tarde dirige-me ao Jardim dos Namorados para a sessão seguinte. Jardim recuperado, onde a nova burguesia local passeia as crianças e compra gelados no Surf, grande café geladaria com esplanada para o oceano. Dois ecrãs gigantes. Escolhi aquele que estava virado para o Índico e foi aprazível ver Larsson e Yorke a correrem sobre o mar. Infelizmente a comentadora da TVM, não por ser comentadora, passou o jogo a dizer coisas como "a equipa continua a fazer o seu jogo" ou "o guarda-redes está a cumprir a sua tarefa que é defender". Saí regalado pela vista e por ter mais um pouco do very typical para contar no rectângulo. Por fim, rumei à baixa. O Eagles é um bar ao pé dos históricos campos do Desportivo e do Maxaquene. Conhecido pela frequência lusitana, o Eagles montou um enorme ecrã na esplanada, mas apressou-se a colocar uma rede à volta para evitar a entrada daqueles que não tinham 100 mil meticais (aproximadamente 6,5 euros) para pagar o consumo mínino. O efeito foi muito estranho mas deixo isso para o que espero ser a descrição do Portugal-Angola. O pessoal, alguns portugueses e as mesmas burguesias do jardim, torciam pela Costa do Marfim mas já se sabe só deu Argentina e Riquelme. Como alguém ao meu lado disse, se ele tivesse físico para aguentar o jogo todo era o melhor jogador do mundo. Terminado o jogo saí com o meu novo anfitrião para um taxi sem antes sermos alvo de mais uma tentativa de extorsão policial. Um clássico. Em Maputo, pior do que dar de caras com um bandido é encontrar um polícia. A coisa resolveu-se entre o insulto e a diplomacia, mas sem encargos.



    António Vicente

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